quarta-feira, 30 de março de 2011

Entrevista na Sane Society, Espanha


BIOGRAFIA (Ver perfil)

COMO VOCÊ SE DEFINE, E QUAIS SÃO AS TUAS PAIXÕES?

Sobre como me defino, depende muito do momento. É aquela "coisa" nada racional do artista. Num momento ele se sente o pior dos mortais, já noutro, o máximo dos deuses. Acho que o momento ruim explica bem os altos desastres emocionais dos grandes artistas do passado. Só mesmo o equilíbrio da razão é capaz de achar o meio da corda bamba das emoções. E, sobre meus momentos bons... (ler postagem sobre ARTE MENTAL) ... Neste momento não me sinto um artista definível, sinto-me a própria arte.

Paixões? Todas as artes, família, amigos, esportes, alimentação saudável, natureza, livros, Deus etc (está fora de ordem, claro...).

QUE PAPEL TEM A INTERNET NA DIVULGAÇÃO DE TUAS OBRAS?

Máxima importância. Por exemplo, a partir de uma página anterior fui descoberto pela Sane Society, e logo depois já sou convidado para esta entrevista... Não preciso dizer mais nada, né? Mas, vou dizer assim mesmo... Como mera suposição, acredito até que o próprio Van Gogh, mesmo não tendo vendido obras (a não ser uma para a cunhada, salvo engano) se tivesse a internet, teria brilhado em seu tempo a partir das exposições virtuais e então, teria tomado outros caminhos emocionais, sem tantas dores e loucuras... Basta pintar um quadro, colocar na internet e você poderá ser visto concomitantemente pelo mundo todo; já não há mais fronteiras, nem para a arte, nem para qualquer forma de expressão cultural. O mundo se tornou menor, há mais união, apesar da desunião mundial.

EM QUAL PROJETO VOCÊ ESTÁ TRABALHANDO ULTIMAMENTE E QUAIS OS TEUS PLANOS PARA O FUTURO?

O meu projeto atual é o mesmo do passado: criar, criar e criar... E, as coisas vão acontecendo... E, no futuro será o mesmo projeto de hoje: criar, criar e criar... O que eu disse acima pode parecer falta de criatividade, apesar de eu insistir em mencionar o verbo "criar". Não consigo, por exemplo, imaginar Picasso em frente aos tubos de tinta e às telas virgens, preocupando-se com o futuro, acredito sim, que ele criou incessantemente e as coisas foram acontecendo naturalmente. Aqui não estou me comparando a ele, antes, admirando-o. Claro que falo de uma maneira geral que engloba pequenos projetos, mas que se resumem no grande projeto da criação espontânea.

Sabe, tipo... O esforço é meu, mas o resultado pertence a Deus!

SE QUISER ACRESCENTAR ALGO MAIS... COMO POR EXEMPLO, COMENTAR UMA DAS SUAS OBRAS OU PARTICIPAR O PRÓXIMO EVENTO, SINTA-SE INTEIRAMENTE À VONTADE.

Eu prefiro aproveitar este espaço para enviar uma mensagem aos artistas e aos que pretendem seguir por este caminho, para que reflitam na responsabilidade da indução mental que qualquer tipo de arte proporciona a partir da criação do artista. No caso das artes plásticas, por exemplo, até o título da obra é capaz de fazer a pessoa que lê, pensar desta ou daquela maneira e daí por diante... Dependendo da força da obra, ela, a pessoa, irá seguir seu dia com uma postura que foi captada a partir da obra em questão.

Num pálido exemplo: um quadro pintado apenas pela variação das cores vermelhas, sem figuras, cujo título é "nua sensualidade", irá causar determinado teor de pensamento. Agora, neste mesmo quadro, apenas mudando o título para "o sangue de cristo derramado", é nítida a transformação da obra, de profana para sacra. Assim, cada artista deve pensar na responsabilidade que sua arte é capaz de trazer.

Certa vez ouvi dizer que a partir dos belíssimos escritos que Léon Tolstoi realizou, em que seus personagens por um ou outro motivo acabavam se suicidando, acabou por gerar um número maior de suicídios em seu tempo, no local onde seus livros eram divulgados... Daí se vê a extrema responsabilidade do artista em relação a suas obras.

Caso tenha espaço, gostaria de acrescentar o texto "MISSÃO DO ARTISTA NA TERRA", de nossa autoria.

Entrevista realizada por Sandra Sarti - Representante do Idioma Português na Sane Society.

segunda-feira, 28 de março de 2011

...a arte, a vida, o eu

A arte é uma representação da vida.

Uma vida sofrida.

Uma vida bem vivida.

Uma vida, em sorrisos, refletida.

Uma vida, denotação da palavra: Vida.

Uma vida futura, hodierna,

Pretérita: escrita na humanidade.

Uma subjetiva realidade...

Ou mesmo imaginação, pura ficção.

A arte, então, retrata o real,

Ainda que ele pareça não existir.

Pois, imaginar também é realizar.

Expresso, em consequência, na arte:

O eu, a reserva mental do eu, o in..., o sub...

O que virá a ser do eu;

Pode ser, então, visto,

Melhor, antevisto em minhas:

Tacanhas brincadeiras pictóricas...

Onde sou capaz facilmente de conotar

O mais inenarrável de meu âmago.

E assim, compartilho-me com a humanidade,

Numa profusão de cores, formas, linhas e luz,

Onde me diluo, terna e eternamente,

Em óleo ou acrílica sobre telas...

Ou ainda, nas proporções esculturais !!!


Doce Enlevo, 80x60cm, Óleo sobre Tela

História para Criancinha do Século XXI...

Num dia como outro qualquer, o bicho mau com fome que estava, observou agudamente o pássaro a passar, que de pronto sentiu a intenção do bicho. E, como dizem por aí, para toda ação existe uma reação!

Então, ela, a ave assustada, logo abriu o bico – gritando palavras feias para se defender – enquanto saía de lado, cambaleando com suas asas abertas. – Eu não gosto de gente que fala coisa feia, a pessoa fica feia.

As reações da natureza foram as mais diversas:::, juro:

A árvore ao longe, penalizada, logo pôs a mão na cabeça, de susto, que horror, balbuciou entre dentes, meneando a cabeça, mas continuou plan – ta – da.

A outra, a esguia árvore, nem esquentou. Descansada que é, pescando estava, pescando continuou. Deve ter pensado: Se eu posso matar o peixe, o bicho, que nem por isso é mau, pode se saciar do pássaro. Afinal, quem mandou ele ser fracote?

A lua lacrimosa com seus cabelos longuíssimos e escovados não podia fazer muita coisa mesmo, a não ser chorar pela desgraça do mundo. Ela até pensou em dar o pulo do gato, mas ela achava que só gatos poderiam dar o pulo do gato. Sentia-se só no Universo, por isso sem força. Mal sabia ela que outros astros pensavam a mesma coisa...

O sol, negro, abaixou a cabeça curioso. Ele na verdade não faria nada mesmo, mas ficou só do alto olhando e pensando em fazer alguma coisa. – Acorda sol, o dia já vai raiando... e a noite já partiu faz muito tempo. - Acorda para a vida! Ilumine-se e ilumine a estrada, todos possuem luz interior!

A nuvem, aquela então é que nunca fará nada pela discórdia. Ela é elegantíssima, nunca perde a pose e nem quer cansar sua beleza, estragando sua cútis aveludada de pêssego nórdico... - Eu não tenho nada com isso mesmo, dane-se!

Se é assim na selvagem natureza, onde se mata pela pequena necessidade da fome, imagine só, num mundo altamente civilizado, da fibra ótica e do on line, das idas ao Marte e das vindas das clonagens..., das curas descobertas e das filosofias pensantes, onde temos tantos grandes motivos fúteis ... – Eu hein... hem...

História para Criancinha do Século XXI..., 41x35cm, AsT

ARTE (Chico Xavier/Emmanuel)

A Imediata Visualização da Liquefação de uma Estrela num Azul Líquido Volátil, 20x20, MsT


ARTE
Que é a arte?

Emmanuel - A arte pura é a mais elevada contemplação espiritual por parte das criaturas. Ela significa a mais profunda exteriorização do ideal, a divina manifestação desse "mais além" que polariza a esperança da alma. O artista verdadeiro é sempre o "médium" das belezas eternas e o seu trabalho, em todos os tempos, foi tanger as cordas mais vibráteis do sentimento humano, alçando-o da Terra para o Infinito e abrindo, em todos os caminhos, a ânsia dos corações para Deus, nas suas manifestações supremas de beleza, de sabedoria, de paz e de amor.

Todo artista pode ser também um missionário de Deus?


Emmanuel - Os artistas, como os chamados sábios do mundo, podem enveredar, igualmente, pelas cristalizações do convencionalismo terrestre, quando nos seus corações não palpite a chama dos ideais divinos, mas, na maioria das vezes, têm sido grandes missionários das idéias, sob a égide do Senhor, em todos os departamentos da atividade que lhes é própria, como a literatura, a música, a pintura, a plástica. Sempre que sua arte se desvencilha dos interesses do mundo, transitórios e perecíveis, para considerar tão-somente a luz espiritual que vem do coração uníssono com o cérebro, nas realizações da vida, então o artista é um dos mais devotados missionários de Deus, porquanto saberá penetrar os corações na paz da meditação e do silêncio, alcançando o mais alto sentido da evolução de si mesmo e de seus irmãos em humanidade.

Pode alguém se fazer artista tão só pela educação especializada em uma existência?


Emmanuel - A perfeição técnica, individual de um artista, bem como as suas mais notáveis características, não constituem a resultantes das atividades de uma vida, mas de experiências seculares na Terra e na esfera espiritual, porquanto o gênio, em qualquer sentido, nas manifestações artísticas mais diversas, é a síntese profunda de vidas numerosas, em que a perseverança e o esforço se casaram para as mais brilhantes florações da espontaneidade.

Como devemos compreender o gênio?


Emmanuel - O gênio constitui a súmula dos mais longos esforços em múltiplas existências de abnegação e de trabalho, na conquista dos valores espirituais. Entendendo a vida pelo seu prisma real, muita vez desatende ao círculo estreito da vida terrestre, no que se refere às suas fórmulas convencionais e aos seus preconceitos, tornando-se um estranho ao seu próprio meio, por suas qualidades superiores e inconfundíveis. Esse é o motivo por que a ciência terrestre, encarcerada nos cânones do convencionalismo, presume observar no gênio uma psicose condenável, tratando-o, quase sempre, como a célula enferma do organismo social, para glorificá-lo, muitas vezes, depois da morte, tão logo possa aprender a grandeza da sua visão espiritual na paisagem do futuro.

Como poderemos entender o psiquismo dos artistas, tão diferente do que caracteriza o homem comum?


Emmanuel - O artista, de um modo geral, vive quase sempre mais na esfera espiritual que propriamente no plano terrestre. Seu psiquismo é sempre a resultante do seu mundo íntimo, cheio de recordações infinitas das existências passadas, ou das visões sublimes que conseguiu apreender nos círculos de vida espiritual, antes da sua reencarnação no mundo. Seus sentimentos e percepções transcendem aos do homem comum, pela sua riqueza de experiências no pretérito, situação essa que, por vezes, dá motivos à falsa apreciação da ciência humana, que lhe classifica os transportes como neurose ou anormalidade, nos seus erros de interpretação. É que, em vista da sua posição psíquica especial, o artista nunca cede às exigências do convencionalismo do planeta, mantendo-se acima dos preconceitos contemporâneos, salientando-se que, muita vez, na demasia de inconsiderações pela disciplina, apesar de suas qualidades superiores, pode entregar-se aos excessos nocivos à liberdade, quando mal dirigida ou falsamente aproveitada. Eis por que, em todas as situações, o ideal divino da fé será sempre o antídoto dos venenos morais, desobstruindo o caminho da alma para as conquistas elevadas da perfeição.

No caso dos artistas que triunfaram sem qualquer amparo do mundo e se fizeram notáveis tão só pelos valores da sua vocação, traduzem suas obras alguma recordação da vida no Infinito?


Emmanuel - As grandes obras-primas da arte, na maioria das vezes, significam a concretização dessas lembranças profundas. Todavia, nem sempre constituem um traço das belezas entrevistas no Além pela mentalidade que as concebeu, e sim recordações de existências anteriores, entre as lutas e as lágrimas da Terra. Certos pintores notáveis, que se fizeram admirados por obras levadas a efeito sem os modelos humanos, trouxeram à luz nada mais nada menos que as suas próprias recordações perdidas no tempo, na sombra apagada da paisagem de vidas que se foram. Relativamente aos escritores, aos amigos da ficção literária, nem sempre as suas concepções obedecem à fantasia, porquanto são filhas de lembranças inatas, com as quais recompõem o drama vivido pela sua própria individualidade nos séculos mortos. O mundo impressivo dos artistas tem permanentes relações com o passado espiritual, de onde extraem o material necessário à construção espiritual de suas obras.

Os grandes músicos, quando compõem peças imortais, podem ser também influenciados por lembranças de uma existência anterior?


Emmanuel - Essa atuação pode verificar-se no que se refere às possibilidades e às tendências, mas, no capítulo da composição, os grandes músicos da Terra, com méritos universais, não obedecem a lembranças do pretérito, e sim a gloriosos impulsos das forças do Infinito, porquanto a música na Terra é, por excelência, a arte divina. As óperas imortais não nasceram do lodo terrestre, mas da profunda harmonia do Universo, cujos cânticos sublimes foram captados parcialmente pelos compositores do mundo, em momentos de santificada inspiração. Apenas desse modo podereis compreender a sagrada influência que a música nobre opera nas almas, arrebatando-as, em quaisquer ocasiões, às ideias indecisas da Terra, para as vibrações do íntimo com o Infinito.

Os Espíritos desencarnados cuidam igualmente dos valores artísticos no plano invisível para os homens?


Emmanuel - Temos de convir que todas as expressões de arte na Terra representam traços de espiritualidade, muitas vezes estranhos à vida do planeta. Através dessa realidade, podereis reconhecer que a arte, em qualquer de suas formas puras, constitui objeto da atenção carinhosa dos invisíveis, com possibilidades outras que o artista do mundo está muito longe de imaginar. No Além, é com o seu concurso que se reformam os sentimentos mais impiedosos, predispondo as entidades infelizes às experiências expiatórias e purificadoras. E é crescendo nos seus domínios de perfeição e de beleza que a alma envolve para Deus, enriquecendo-se nas suas sublimes maravilhas.

A emotividade deve ser disciplinada?


Emmanuel - Qualquer expressão emotiva deve ser disciplinada pela fé, porquanto a sua expansão livre, na base das incompreensões do mundo, pode fazer-se acompanhar de graves consequências.

Com tantas qualidades superiores para o bem, pode o artista de gênio transformar-se em instrumento do mal?


Emmanuel - O homem genial é como a inteligência que houvesse atingido as mais perfeitas condições de técnica realizadora; essa aquisição, porém, não o exime da necessidade de progredir moralmente, iluminando a fonte do coração. Em vista de numerosas organizações geniais, não haverem alcançado a culminância de sentimento é que temos contemplado, muitas vezes, no mundo, os talentos mais nobres encarcerados em tremendas obsessões, ou anulados em desvios dolorosos, porquanto, acima de todas as conquistas propriamente materiais, a criatura deve colocar a fé, como o eterno ideal divino.

De modo geral, todos os homens terão de buscar os valores artísticos para a personalidade?


Emmanuel - Sim; através de suas vidas numerosas a alma humana buscará a aquisição desses patrimônios, porquanto é justo que as criaturas terrenas possam levar da sua escola de provações e de burilamento, que é o planeta, todas as experiências e valores, suscetíveis de serem encontrados nas lutas da esfera material.

Existem, de fato, uma arte antiga e uma arte moderna?


Emmanuel - A arte envolve com os homens e, representando a contemplação espiritual de quantos a exteriorizam, será sempre a manifestação da beleza eterna, condicionada ao tempo e ao meio de seus expositores. A arte, pois, será sempre uma só, na sua riqueza de motivos, dentro da espiritualidade infinita. Ponderemos, contudo, que, se existe hoje grande número de talentos com a preocupação excessiva de originalidade, dando curso às expressões mais extravagantes de primitivismo, esses são os cortejadores irrequietos da glória mundana que, mais distanciados da arte legítima, nada mais conseguem que refletir a perturbação dos tempos que passam, apoiando o domínio transitório da futilidade e da força. Eles, porém, passarão como passam todas as situações incertas de um cataclismo, como zangões da sagrada colmeia da beleza divina, que, em vez de espiritualizarem a natureza, buscam deprimi-la com as suas concepções extravagantes e doentias.

EMMANUEL (O Consolador, II Parte, questões 161 a 172, Francisco Cândido Xavier, FEB)

Visão Cubista da Explosão Cósmica Parecendo Engendrar Partículas de Cristais Avermelhados, 20x20, MsT

sexta-feira, 25 de março de 2011

Missão do Artista na Terra

Pollock Cósmico I (tríptico) 20x140cm, AsT

Não vos orgulheis do que sabeis, pois esse saber tem limites bem estreitos no mundo e no setor artístico que atuais. Mesmo supondo que sejais uma das sumidades na Terra, não tendes nenhum direito de vos envaidecer por isso. Se Deus vos fez nascer num meio onde pudestes desenvolver vossa arte, foi porque Ele quis que fizésseis uso dela para o bem de todos. Esta é uma missão que Ele vos dá, ao colocar em vossas mentes a ideia com a ajuda da qual podereis desenvolver, a vosso modo, os corações menos sensíveis e conduzi-los a Deus.

A natureza do material, ou do imaterial, não indicam o uso que deles se devem fazer?
O pincel e a tinta para o pintor?
A sapatilha e o ritmo para a bailarina?
O cinzel e o mármore para o escultor?
A caneta e o papel para a escritora?
O instrumento musical e a melodia para o músico?
O enredo e a memória para a atriz?
A enxada que o jardineiro coloca nas mãos de seu aprendiz não lhe mostra que ele deve cavar?

Pollock Cósmico II (tríptico) 20x140cm, AsT
E que diríeis se esse aprendiz, ao invés de trabalhar, levantasse sua enxada para atingir o seu mestre? Diríeis que é horrível e ele merece ser expulso. Pois bem, assim ocorre com aquele que se serve de sua arte para destruir a ideia de Deus e da Providência entre seus irmãos. Ele ergue contra seu mestre a enxada que lhe foi dada para limpar o terreno. Terá assim direito ao salário prometido, ou merece, ser expulso do jardim? Do Éden? Ele o será, não há dúvida, e carregará consigo experiências miseráveis e repletas de humilhações até que se curve diante d’Aquele a quem tudo deve.

A arte é rica de méritos para o futuro, desde que bem empregada. Se todos os homens talentosos dela se servissem conforme a vontade de Deus, a tarefa dos “Trabalhadores Ocultos do Universo” seria fácil, para fazer a humanidade avançar. Infelizmente, muitos fazem dela um instrumento de orgulho e de perdição para eles próprios. O homem abusa de seu talento para a arte como de todas as suas outras capacidades e, entretanto, não lhe faltam lições para adverti-lo de que um poderoso sopro pode facilmente lhe retirar tudo aquilo que lhe deu, inclusive a intuição artística.

Releitura do texto “Missão do Homem Inteligente na Terra”, do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Allan Kardec.

Pollock Cósmico III (tríptico) 20x140cm, AsT

SÃO SEBASTIÃO


SEBASTIÃO, considerado defensor da Igreja, nasceu em Narbonne, cerca de 256 d.C., ingressou no exército, e, dado sua capacidade, tornou-se estimado pelos imperadores Diocleciano e Maximiano; ignorando tratar-se de um cristão, designaram-no Capitão da Guarda Pretoriana.


San Sebastiano 2º Piero della Francesca

Dioclesiano, sentindo-se traído por seu soldado de confiança, num tempo em que os cristãos eram perseguidos, condenou-o à morte. Levaram-no para um campo aberto e os arqueiros da Mauritânia o flecharam, e, tendo-o por morto, jogaram-no ao rio; este sendo encontrado, foi socorrido por (Santa) Irene, que cuidou de suas feridas.

Recuperado, Sebastião se apresenta ao imperador Diocleciano, dando testemunhos de sua fé em Cristo; este, estarrecido ao ver em sua presença aquele que deveria estar morto, ordena o espancamento até a morte. Não tendo morrido com o espancamento é transpassado por lança, cerca de 286 d. C...

Nas Flechadas, o Discípulo Relembra o Mestre

As obras, acervo do MAAS - Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, são releituras de San Sebastiano, particolare del Polittico della Misericordia (1445, Museo Civico, Sansepolcro), do pintor e matemático Piero della Francesca, que pertenceu ao Quattrocento, segunda fase do movimento renascentista italiano.
O MAAS conserva uma das mais importantes coleções de arte sacra brasileira, com mais de 4.300 peças, sendo a maioria do período barroco, incluindo objetos religiosos que vieram para o Brasil com a vinda de D. João VI.


Os Anjos Suportam Sua Dor

MAAS - Museu Arquidiocesano de Arte Sacra
Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro
Av. República do Chile, nº 245 – Centro
Rio de Janeiro, RJ, Brasil

quinta-feira, 24 de março de 2011

O PODER DA ARTE

A Face de Jesus
Conhecereis a verdade e ela vos libertará. (Jesus)

A máxima acima é capaz de nos facilitar a saída dos grilhões da ignorância. Porém, sabemos também o valor da intuição (para quem acredita nesta força), no caso em que alguns de nós somos capazes de antever situações ou de gerar descobertas em quaisquer campos comportamentais em que muitos teriam que refletir e pesquisar para encontrar algum tipo de resposta naquilo em que se busca.

E, no processo de descoberta da vida, entra a arte aqui facilitando o equilíbrio das emoções quando esta, a arte, se volta para um ideal superior. Ouso crer, então, que a humanidade saindo dos instintos, passando pelas sensações e rumo ao encontro das emoções neste descobrir da mecânica do Universo, com melhor equilíbrio d’alma, situação esta que pode a arte muito favorecer, fica menos penoso, menos doloroso lidar com certas questões da vida. E, se alguém reporta a mim grandes nomes da ciência e da arte que muito colaboraram com o despertar das emoções superiores na humanidade, apesar dos altos e baixos emocionais, imagino de pronto o quão mais teriam feito, em seu estágio de genialidade, se equilibrassem um pouco mais o nível emocional, estado de equilíbrio que muito pode a arte contribuir.

A arte, então, tem efeito subjetivo imensamente superior ao objetivo; o que pode ser visto nas obras artísticas é apenas a "ponta do iceberg" do que assimila o artista das experiências da vida. O pensamento quando voltado para a arte em todas as suas manifestações artísticas num “algo mais” que polariza a esperança da alma refletindo um bem-estar corporal será visto apenas numa chispa, a obra, da imensa chama de luz que povoa o mundo interior do artista já rico de tais experiências na área do pensar e do sentir, e em menor monta, mas já sendo levemente vislumbrado em aquele que se dispõe a caminhar por estas trilhas enveredando suave e paulatinamente pela irmã arte... Então, um pouco mais pleno de nobres emoções poderá a pessoa vislumbrar mediante a intuição parcela da ciência do Universo, a sabedoria do bem viver e, conhecendo a verdade ainda que parcialmente, ela o libertará, pelo menos em parte...

No meu modesto trabalho procuro muitas vezes utilizar o abstrato não como fim da obra, mas como meio para realizar a mesma e através de tintas “salpicadas”, pontos, linhas e espaços, formas ordenadas ou aparentemente desordenadas e variados matizes em seus infinitos tons, fazer surgir na mente do observador flores, paisagens, pessoas ou galáxias, estrelas e mundos ainda não descobertos pela ciência, mas já antevistos de forma subjetiva na mente do artista que parcamente mal retrata as grandezas da criação do Rei do Firmamento.

No mais, desejo muita paz para você que ora entra em contato comigo através de minhas criações artísticas... E do sutil liame que nos liga, esta ode de valorização ao belo. Mas, no fundo, no fundo eu gostaria que você também participasse de uma maneira ou de outra em algum processo artístico a fazer você descobrir novos horizontes emocionais, um tanto distante das turbulências da sociedade hodierna.

Nas Profundezas dos Oceanos de Arcturus, Acervo Arma dei Carabinieri, Itália

RIO DE JANEIRO PHOTOGRÁFICO

Rio de Janeiro Photográfico 003 - Visão da Quinta da Boa Vista

Outras fotos do Rio... em www.artmajeur.com/giovdand

VISÕES... Talvez fosse assim que eu devesse chamar este pequeno ensaio... Pois, são as imagens, sensações e emoções que capto a partir de alguns lugares do Rio...
Mas, antes e além de eu me inspirar nas belezas monumentais e detalhes discretos deste Rio de Janeiro, trago n’alma, de autodidata nas artes, determinadas nuances, independente da coloração utilizada, que a fotografia digital, neste caso pouco trabalhada para não perder tanto desta bela realidade, é capaz de revelar, nesta linha limítrofe entre a fotografia e um “algo” da pintura, espécies do gênero artes visuais.
E por que o Rio de Janeiro como tema central ?
E por que não ?
Esse Rio de Janeiro da harmonia que grita – EU ESTOU AQUI PARA QUEM QUISER ME AMAR – e dos mistérios estéticos ocultos aos menos sensíveis...
Só quem o conhece de perto poderá responder...
E eu?
Eu não sou do Rio de Janeiro, EU SOU O RIO DE JANEIRO !!!
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quarta-feira, 23 de março de 2011

MULHER, um gozo infindo...


Mulher minha
Mulher da rua
Mulher do mundo
Lindo ser...

De andar sensual
Com anca que balança
Da direita pra esquerda
Desnuda... o ventre.

Vestido apertado
Saia justa
Decote que pende
Olhos me olham...

Posições estudadas
Gestos meticulosos
Olhares indecorosos
Pra mim ???

Esvoaças o cabelo
Balanças o brinco
Comigo pareces que brincas
Ai ! Rio que dói.

Insano que sou
Louco por ti
Louca que és
Loucura !

Sensações
Emoções
Êxtases
Eu existo ! Eu-e-xis-to !

Frêmito do corpo
Gemido d’alma
Taquicardia caliente
Uh... Malicio.

Nas entranhas ardor
Na pele calor
Na mente torpor
Ah... Suspiro.

Inspiro
Expiro
Respiro o vapor que exalas
, tu: Mulher !

De alma sensível
Alimentas no ventre: ser
O filho meu
Vim ao mundo para teu ser.

Confinas o mundo em ti
Fizeste-me homem
Pois, és grande
... MULHER !

A Ciência Jurídica e as Artes Plásticas

Impressão: Abstrato Cósmico, o Sol Nascente, 100x100cm, AsT

Giovanni D’Andrea*


Artigo apresentado em Seminário de Direito Civil e publicado na REVISTA ÂMBITO JURÍDICO®

Resumo: Abordar-se-á a dificuldade de fazer prevalecer a função social da lei em proteger juridicamente os criadores e suas criações visuais, inobstante as iniciativas legislativas brasileiras de suporte ao artista plástico.

Palavras-chaves: Direito Autoral. Direito de Sequência. Droit de Suite. Convenção de Berna. CUDA. TRIPs. Lei 9.610. Artista Plástico. Artes Plásticas. Pintura. Escultura. Desenho. Arquitetura.

1. INTRODUÇÃO

Numa breve observação percebemos que a proteção jurídica aos direitos autorais ganhou força mundial com a “Convenção de Berna[1] para a Protecção das Obras Literárias e Artísticas de 09 de Setembro de 1886, completada em Paris a 04 de Maio de 1896, revista em Berlim a 13 de Novembro de 1908, completada em Berna a 20 de Março de 1914 e revista em Roma a 02 de Junho de 1928, em Bruxelas a 26 de Junho de 1948, em Estocolmo a 14 de Julho de 1967 e em Paris a 24 de Julho de 1971”.[2] No Brasil a Convenção de Berna foi promulgada pelo Decreto nº 75.699, de 06 de maio de 1975. Neste mesmo ano, em 24 de dezembro, o Decreto nº 76.905 promulgou a Convenção Universal sobre o Direito de Autor (CUDA) estabelecendo em seu artigo primeiro que os Estados, inclusive o Brasil, comprometem-se a tomar todas as disposições necessárias para assegurar a proteção suficiente e eficaz dos direitos dos autores e de quaisquer outros titulares dos mesmos direitos sobre as obras artísticas, tais como as pinturas, gravuras e esculturas, além das produções literárias e científicas .

Em 30 de dezembro de 1994, através do Decreto nº 1.355 é promulgada a ata final que incorpora os resultados da rodada Uruguai de negociações comerciais, multilaterais do GATT, estabelecendo acordo sobre aspectos dos direitos de propriedade intelectual relacionados ao comércio – Acordo TRIPs, que em seu artigo 9º estabelece que seus membros cumprirão o disposto nos artigos 1º a 21 e no apêndice da Convenção de Berna. A partir daí a Lei n° 9.610, promulgada em 19 de fevereiro de 1998, que derrogou a Lei 5.988/73, altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais. Pelo simples fato desta lei regular os direitos de autores literários, científicos e artísticos, serão enfocados os dispositivos que guardam relação direta com o artista plástico[3] e suas criações visuais, objeto do presente.

O artigo 7º, da referida Lei, define como “obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro”, tais como, no caso das artes plásticas: as obras fotográficas e as análogas; as obras de desenho, pintura, gravura, escultura, litografia e arte cinética[4]; as ilustrações, cartas geográficas e as de mesma natureza; e, os projetos, esboços e obras plásticas concernentes à geografia, engenharia, topografia, arquitetura, paisagismo, cenografia e ciência.

2. DO REGISTRO DAS OBRAS

De acordo com o artigo 18: “a proteção aos direitos de que trata esta Lei independe de registro”, ou seja a exigência de registro é opcional, mas o registro traz a facilidade de comprovação da autoria, o que permite ao artista exercer seu direito autoral com mais facilidade caso seja necessário, inclusive pleiteá-lo em juízo. O direito nasce com a criação do artista, diversamente do que acontece, por exemplo, com as patentes que exigem a declaração estatal. Podem ser registrados como obra de arte o desenho de jóias, personagens, logomarcas etc, a fotografia, a pintura, a litografia, a gravura e a escultura. Como se depreende da lei, também é passível de registro a arte aplicada cujo valor artístico pode dissociar-se do caráter industrial do objeto a que estiverem sobrepostas. Interessante notar que a cópia da obra de arte feita pelo próprio autor goza da mesma proteção de que goza a obra original.

É facultado ao autor registrar a sua obra no órgão público definido no artigo 17 da Lei nº. 5.988, que conforme este, para segurança de seus direitos, o autor da obra intelectual poderá registrá-la na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro[5]. Para o caso de registro o autor deverá entrar no site da Escola de Belas Artes[6], clicar em direitos autorais, fazer o download do formulário, preencher e encaminhar pelos Correios ou levar pessoalmente anexando duas fotos da obra, assinada pelo autor, pagar a taxa de R$ 80,00 (oitenta reais)[7] no Banco do Brasil. No caso de cessão da obra, é necessário que no conjunto de documentos, o respectivo contrato, devidamente assinado com duas testemunhas, seja registrado em cartório.

3. DIREITOS MORAIS E DIREITOS PATRIMONIAIS

O direito de autor protegendo o autor e sua obra, considerando o tempo da proteção, tem por objetivo garantir a este uma participação financeira e uma moral em troca da utilização da obra que criou. Num rápido olhar, podemos observar que os direitos autorais sobre a obra que criou se subdividem em duas espécies: Direitos Morais e Direitos Patrimoniais. Esta bipartição caracteriza a Teoria Dualista, adotada pela legislação brasileira, no que difere da Teoria Monista que funde ambos os conceitos, considerando-os único, enfocando a denominação mais abrangente: Direitos Autorais.

São direitos morais do autor: o de reivindicar a autoria da obra; o de ter seu nome, pseudônimo ou seu sinal indicativo como sendo o do autor; o de conservar a obra inédita; o de assegurar a integridade da obra, opondo-se a quaisquer atos que possam prejudicá-la ou atingi-lo, como autor, em sua reputação ou honra; o de modificar a obra; o de retirar de circulação a obra ou de suspender qualquer forma de utilização já autorizada, quando a circulação ou utilização implicarem afronta à sua reputação e imagem; e, o de ter acesso a exemplar único e raro da obra, quando se encontre legitimamente em poder de outrem, para o fim de que por meio de processo fotográfico, assemelhado ou audiovisual seja preservada sua memória. Importante esclarecer que os direitos morais do autor são inalienáveis e irrenunciáveis, evitando assim possíveis desequilíbrios contratuais que venham a ferir o autor ou sua obra. Esta ligação entre o artista e sua arte, criador e criação, é uma relação de ordem emocional íntima, que permite ao artista acompanhar o destino de sua obra, e que se prejudicada deverá ser pleiteada em juízo através da difícil valoração estabelecida pelos direitos morais.

Quanto aos direitos patrimoniais do autor, a Constituição Federal reza em seu artigo 5º, XXVII que: “aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar”[8]; já no artigo 28 da lei em pauta temos que “cabe ao autor o direito exclusivo de utilizar, fruir e dispor da obra literária, artística ou científica.” A lei deixou para o artigo 41 a fixação do tempo, sendo que estes, os direitos patrimoniais do autor, perduram por setenta anos contados de 1° de janeiro do ano subsequente ao de seu falecimento, obedecida a ordem sucessória da lei civil[9]. Após este período, hoje definido em setenta anos a obra cairá em domínio público, não havendo mais necessidade de autorização para sua utilização, mas sempre deverá respeitar os direitos morais do autor. A duração da proteção concedida pela Convenção de Berna estende-se até cinquenta anos após a sua morte, inobstante deixar claro que a duração será regulada pela lei do país em que a proteção for reclamada[10]. Com exceção dos rendimentos advindos da exploração, os direitos patrimoniais não se comunicam, salvo pacto antenupcial em contrário.

4. DROIT DE SUITE

Droit de suite ou direito de sequência ou direito de participação ou, ainda, direito de revenda, trata-se de um direito de recebimento do artista em relação à venda de suas obras no mercado de arte. Direito de participar da mais valia (plus-valia) que advier ao vendedor em cada nova alienação, recebendo o autor da obra um percentual, fixo ou variável, de acordo com o país, estabelecido na legislação pertinente[11]. De origem francesa, é um direito difícil de ser respeitado pela ingrata fiscalização das revendas trazendo inviabilidade na cobrança, por outro lado, se devidamente respeitado este percentual que cabe ao autor da obra será, com certeza, transferido ao comprador final através de preços mais altos, dificultando as vendas e indiretamente prejudicando o autor.

O fundamento da criação do droit de suite é trazer equilíbrio financeiro, portanto, justiça econômica nas transações efetuadas, principalmente quando a obra é valorizada no mercado de arte, geralmente porque o nome do artista chegou ao conhecimento do grande público, sendo que normalmente as obras iniciais foram vendidas por preços módicos e os intermediários, inobstante estarem trabalhando, ou os atuais proprietários se enriquecem em cima da valorização do nome do artista, que na história da humanidade é sabido que muitos morreram na extema miséria. Então este direito de participação favorece não somente aos autores, mas também seus herdeiros e instituições que porventura detenham a obra objeto da transferência de propriedade. Notoriamente é um avanço na proteção daquele que mais trabalhou: o artista.

No Brasil o direito de sequência pode ser encontrado no artigo 38, que in verbis esclarece: “O autor tem o direito, irrenunciável e inalienável, de perceber, no mínimo, cinco por cento sobre o aumento do preço eventualmente verificável em cada revenda de obra de arte ou manuscrito, sendo originais, que houver alienado”; Já no parágrafo único lemos: “Caso o autor não perceba o seu direito de seqüência no ato da revenda, o vendedor é considerado depositário da quantia a ele devida, salvo se a operação for realizada por leiloeiro, quando será este o depositário.”

Em alguns países da Europa e da América Latina, os direitos de exploração das criações visuais são exercidos por sociedades de gestão coletiva, afastando a intromissão do governo na cobrança do direito, fazendo dela um acerto particular, facilitando o controle por parte dos autores, a fim de que seus direitos sejam aplicados.

5. TÓPICOS OUTROS

É necessário a autorização prévia e expressa do autor, que se presume onerosa, para a utilização da obra, por quaisquer modalidades, tais como: a reprodução parcial ou integral; a utilização, direta ou indireta, da obra artística mediante exposição de obras de artes plásticas e figurativas. Porém, quando as obras estiverem permanentemente em locais públicos poderão ser representadas livremente por meio de pinturas, desenhos, fotografias e procedimentos audiovisuais. O criador da obra, portador do direito autoral, no exercício do direito de reprodução, poderá colocar a obra à disposição do público na forma, local e pelo tempo que desejar, onerosa ou gratuitamente.

O autor de obras fotográficas tem o direito de reproduzi-las e vendê-las, observadas as restrições quanto à exposição, reprodução e venda de retratos, sendo que também deverá respeitar os direitos de autor de obra plástica protegida que for fotografada. A aquisição do original ou de exemplar de uma obra não confere ao adquirente qualquer dos direitos patrimoniais do autor, salvo convenção entre as partes e dispositivo legal em contrário.

O autor de obra de arte plástica, ao alienar o objeto em que ela se materializa, transmite, salvo acordo em contrário, o direito de expô-la; em contrapartida pode o autor retirar de circulação a obra ou suspender qualquer forma de utilização já autorizada, como uma faculdade que protege um interesse de índole moral do autor, pois, a hipótese legal está condicionada à ocorrência de afronta à reputação e imagem. Muito importante quando o adquirente se trata de um museu ou galeria cujo interesse na aquisição reside exatamente na exposição ao público ou revenda das obras. Porém a lei faculta ao autor a possibilidade de excluir este direito, se no ato de alienação houver expressamente disposição contrária. Em suma: o adquirente tem o direito de expor a obra e o autor o de suspender a autorização de exposição da obra, salvo cláusula contratual contrária.

A lei brasileira apenas reservou ao autor o direito de preservar sua memória, causando o menor inconveniente possível a seu detentor. Sob a ótica de um autor de obra de artes plásticas, na prática, essa faculdade se encontra muitas vezes prejudicada em seu exercício pela inexistência de mecanismos que permitam ao autor a localização de suas obras. Não tratou da questão da destruição pelo autor, nem pelo proprietário do objeto em que a obra se materializa, quando a obra já não lhe interessa. De maneira diferente, algumas legislações preveem esta possibilidade por parte do adquirente de destruir a obra, respeitando e conciliando os direitos do autor, sendo que a este será oferecida a obra pelo preço do suporte e nesta impossibilidade, o autor terá o direito de reproduzi-la antes da destruição.

O titular, cuja obra seja fraudulentamente reproduzida ou divulgada, poderá requerer a apreensão dos exemplares reproduzidos ou a suspensão da divulgação, sem prejuízo da indenização cabível, sendo que quem editar a obra, sem autorização do titular, perderá para este os exemplares que se apreenderem e pagar-lhe-á o preço dos que tiver vendido. As sanções civis aplicam-se sem prejuízo das penas cabíveis; sendo que a sentença condenatória poderá determinar a destruição de todos os exemplares ilícitos e dos elementos utilizados para praticar o ilícito civil, assim como, poderá determinar a perda de equipamentos e insumos destinados a tal fim ou a destruição se servirem eles unicamente para o fim ilícito.

5. CONCLUSÃO

Inobstante a proteção aos direitos autorais, de acordo com a legislação pátria positiva, se fazer valer independentemente do registro, é notório que o registro facilita o ônus probatório no caso de uma necessidade perante juízo. Porém, o fato do valor ser considerável alto para o registro de uma única obra (valor considerado para o artista de pouca ou média atuação no mercado), sem falar na burocracia, sendo que um artista produz em média uma razoável quantidade de obras, somado ao custo do material e de gastos outros que o artista precisa dispor, e, dada a dificuldade de se acompanhar, perante os revendedores o direito de sequência; é consideravelmente difícil que o Estado Brasileiro, observada a realidade do mercado de arte para a grande maioria dos artistas, esteja cumprindo esta função social frente aos artistas plásticos.

Se no Brasil, inobstante os esforços legislativos, ainda é difícil tão somente o registro da obra de arte, quanto mais o será a percepção do droit de suite.

Referências:
BRASIL. Constituição 1988. Organizado pela Câmara dos Deputados. 25ª ed. Brasília: Coordenação de Publicações, 2007.
BRASIL. Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. Promulga a Ata Final que incorpora os resultados Rodada Uruguai de Negociações Comerciais, Multilaterais do GATT. (Acordo sobre aspectos dos direitos de propriedade intelectual relacionados ao comércio – TRIPs).
BRASIL. Decreto nº 75.669, de 06 de maio de 1975. Promulga a Convenção de Berna para a Proteção das Obras Literárias e Artísticas, de 9 de setembro de 1886, Revista em Paris, a 24 de julho de 1971.
BRASIL. Decreto nº 76.905, de 24 de dezembro de 1975. Promulga a Convenção Universal sobre o Direito de Autor, Revisão em Paris, 1971.
BRASIL. Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências.
BRASIL. Novo Código Civil e Legislação Correlata. Organizado pelo Senado Federal. 1ª ed. Brasília: Subsecretaria de Edições Técnicas, 2003.
DE-MATTIA, Fabio Maria.Droit de Suite ou Direito de Seqüência das Obras Intelectuais. Disponível em Acesso em: 13 fev.2009.
EGEA, Maria Luiza de Freitas Valle. Direitos do Artista Plástico. Disponível em <> Acesso em 13 fev. 2009.
JUNIOR, Osvaldo Alves Silva. Direitos Autorais: Uma Visão Geral Sobre a Matéria. Disponível em http://www.boletimjuridico.com.br/doutrina/texto.asp?id=1621 Acesso em 16 fev. 2009.
ROCHA, Maria Victoria. O Direito de Seqüência (Droit de Suíte) em Portugal. Disponível em Acesso em: 13 fev. 2009.
SOUZA, Carlos Fernando Mathias de, Direito Autoral: Legislação Básica. 1ª ed. Brasília: Brasília Jurídica, 1998.
Notas:
* Secretário de Ofício da Procuradoria da Justiça Militar. Advogado. Pós-Graduado em Direito Administrativo. Pós-Graduado em Direito Militar.
[1] Atualmente a Convenção de Berna conta com mais de uma centena e meia de países signatários constituídos em União.
[3] O autor do artigo tem interesse direto em artes plásticas e sua devida proteção jurídica. Vide: www.artmajeur.com/giovdand (Giov. D'And.).
[4] Ou cinetismo, arte que explora efeitos visuais por meio de movimentos físicos ou ilusão de ótica.
[5] Escola de Belas Artes -Avenida Ipê, 550 - 7º andar - Cidade Universitária - Ilha do Fundão - Rio de Janeiro - RJ - CEP 21941-590 - Tel.: 2598-1649 (número conferido em 13.02.09).
[7] Valor válido a partir de 17.07.08, atualizado pela Portaria nº. 40.08. Repare que este valor é baixo apenas para o artista plástico consagrado pela mídia, porém para a grande maioria de artistas, iniciantes ou não, é relativamente caro, que já conta com outros custos: tais como o material de pintura, embalagem, translado da obra, serviço de galerista etc. Sem falar que este valor é o de cada obra, sem contar a incalculável quantia de obras que um artista produz em sua carreira artística.
[8] A Constituição Federal também prevê em seu artigo 5º que: “V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem”; “IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”; e que “X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”.
[9] Lei nº. 10.406, Novo Código Civil - Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na seguinte ordem: I – aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no de separação obrigatória de bens; ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particular; II – aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente; III ao cônjuge sobrevivente; IV – aos colaterais.
[10] Vide Convenção de Berna: artigo 7º, 1) e 8).
[11] O droit de suite pode ser encontrado na Convenção de Berna em seu artigo 14-TER, que assim estabelece: “1) No que respeita a obra de arte originais e manuscritos originais dos escritores e compositores, o autor – ou, após a sua morte, as pessoas ou instituições que a legislação nacional considera legítimas - goza de um direito inalienável de beneficiar das operações de venda de que a obra é objecto após a primeira cessão praticada pelo autor. 2) A protecção prevista na alínea supra só é exigível em cada país da União se a legislação nacional do autor admitir essa protecção e na medida em que o permita a legislação do país em que essa protecção é reclamada. 3) As modalidades e as taxas de percepção são determinadas por cada legislação nacional.”

Outros artigos publicados:
competência do superior tribunal militar para julgamento de ações relativas às transgressões disciplinares
histórico da responsabilidade civil do estado
o direito de matar e o dever de morrer
o administrado e a administração no processo administrativo
amplitude do direito ao silêncio
comentários ao artigo 366, CPP

 

... pão: nem só de, vive o homem !

Do campo: Os lírios,
Olhai-os !
Não tecem,
Nem fiam . . .


Do céu: Os pássaros,
Observai-os !
Não colhem,
Nem ceifam . . .

Tenham ouvidos de ver.
Tenham olhos de ouvir.
Homens de pouca fé !

Filosofia e fé, inconteste uma se conter...
Ciência e amor, incontroverso um se unir...
Religião sem caridade, inegável, nada é ! ! !

Flores para as Crianças, doada ao leilão GRENDACC

A Ideia e a Atuação de Deus

Pensamentos Paternos Plasmados

Pintei!
Pintei pretérito, presente, porvir.
Pintei paradigma: paladino;
paradoxalmente,
Pintei profetas pernósticos,
Paramentados palhaços,
Petizes perdidos,
Perdizes pasmadas pelos
perdigueiros.
Pintei perigosas panteras,
Paquidermes pândegos,
Pintassilgos parecendo
pianistas,
Pirilampos piscas-piscas,
Protozoários pequeníssimos.
Pintei pomares, pinheirais,
palmeirais,
Plantas, pântanos, pradarias,
Planaltos, planícies, planetas...
Pintei passarada pela paisagem.
Pintei palcos parisienses,
Primaveras principescas.
Pintei pincéis, pinceladas, paletas.
Pintei pintores pernoitando...
Piero, Picasso, Portinari, pintei...
Particularidades paradisíacas!
Portando penas, papéis, palavras,
Poetisas planejam páginas...
Por parábolas pintei poemas.
Poemetos???
Plenitude, pintei!
Pintei prateadas pombas,
Pairando pacientemente,
Preces pronunciando pela PAZ:
Pai, perdoai...
Pintei, portanto, pães, peixes, pluralidades...
Pintei pétalas, prantos, panaceias...
Pintei pai-nossos...
Pintei profuso!
Proficuamente, pintei...
Pinturas poéticas...
*Primas-obras* !!!

XIV - SAI BABA FOTÓGRAFO

Rio de Janeiro Photográfico 101

Rio de Janeiro Photográfico 102

Rio de Janeiro Photográfico 103

Não faz muito tempo, em relação à data em que escrevo este texto (01.09.2010), resolvi andar com a máquina fotográfica “em punho” e “sacá-la” de vez em quando, e, para isto defini, a algum custo, o tema que iria fotografar, para que não ficassem fotos perdidas e desconexas, em termo de arte. Então me veio a ideia de fotografar apenas a cidade do Rio de Janeiro (Brasil), ainda que eu variasse as fotografias entre paisagens, pessoas, animais e circunstâncias quaisquer. Inobstante caminhar pelas artes plásticas, nunca havia fotografado com esta intenção, mesmo assim comecei, em junho...

Um mês depois eu já estava desistindo deste doce calvário entre o prazer de fotografar a beleza e o trabalho em vão. Após a plena consciência da desistência, para poupar energia pessoal para outras tarefas mais importantes; estando deitado, tive a oportunidade de visualizar mentalmente ampla paisagem do Rio de Janeiro, como se eu tivesse sobrevoando-o, quando aquela Voz meiga e suave disse que eu deveria continuar, que Ele me auxiliaria para tal mister.

Pois bem, passados uns dias, lá fui eu, fingindo ser fotógrafo... E, em agosto do mesmo ano, fui tirar fotos do bairro de Botafogo, do alto de um conhecido shopping da região, donde se vislumbra toda a azul enseada, salpicada de inúmeros barquinhos brancos, abaixo do morro onde circulam bondinhos.

Após as primeiras fotos, Sir Baba, da Índia, falou comigo, pela linguagem do coração, estando eu aqui no Brasil, que poderia mudar a coloração da fotografia dentro da máquina. Passado cerca de três minutos, após outras fotos tiradas, para minha surpresa reparei que realmente as cores na paisagem vista através do visor da máquina iam rapidamente se modificando entre várias tonalidades. Alguns segundos para eu me recuperar da boa surpresa e fui apertando o clique, sem dar tempo da máquina se “recompor”...

Entre 17:08 e 17:11 horas, tirei 14 fotos do mesmo local, mas somente uma, às 17:10 teve a coloração modificada, de um tom meio amarronzado, sendo todas as outras 13 fiéis ao azul do céu e do mar. Ainda guardo os arquivos originais; assinei cópia de duas delas, sem alterá-las (inobstante eu trabalhar com edição de fotos), com o nome de Rio de Janeiro Photográfico 101 e 102.

Mais um pequeno tempo se passou e tive a oportunidade de visitar a Mesa do Imperador (no caminho da Vista Chinesa) e, claro, como fiquei surpreso ao me deparar com a paisagem mostrada meses antes na minha tela mental, incentivando-me a continuar com este pequeno trabalho de fotografar a beleza, esta, fruto da harmonia do Criador, alimentando os homens no caminho do crescimento espiritual, como um presente e descanso nas horas difíceis. Registrei no Rio de Janeiro Photográfico sob o número 103.

Obrigado Swami, mesmo eu não sendo merecedor desta graça, pude, mais uma vez comprovar Sua onisciência, onipotência e onipresença.

O Homem e a Mulher (Victor Hugo)


Battista Sforza 15x11cm Federico da Montefeltro 15x11cm
O homem é a mais elevada das criaturas.
A mulher é o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono,
Para a mulher um altar.
O trono exalta,
O altar santifica.
O homem é o cérebro,
A mulher o coração.
O cérebro produz luz,
O coração o amor.
A luz fecunda,
O amor ressuscita.
O homem é o gênio,
A mulher o anjo.
O gênio é imensurável,
O anjo indefinível.
A aspiração do homem é a suprema glória.
A aspiração da mulher é a virtude extrema.
A glória traduz grandeza.
A virtude traduz divindade.
O homem tem supremacia,
A mulher a preferência.
A supremacia representa a força,
A preferência o direito.
O homem é forte pela razão.
A mulher é invencível pela lágrima.
A razão convence,
A lágrima comove.
O homem é capaz de todos os heroísmos,
A mulher de todos os martírios.
O heroísmo enobrece,
O martírio sublima.
O homem é o código,
A mulher o evangelho.
O código corrige,
O evangelho aperfeiçoa.
O homem é um templo,
A mulher um sacrário.
Ante o templo nos descobrimos,
Ante o sacrário, ajoelhamo-nos.
O homem pensa,
A mulher sonha.
Pensar é ter cérebro.
Sonhar é ter na fronte uma auréola.
O homem é um oceano,
A mulher um lago.
O oceano tem a pérola que o embeleza,
O lago tem a poesia que o deslumbra.
O homem é a águia que voa,
A mulher o rouxinol que canta.
Voar é dominar o espaço.
Cantar é conquistar a alma.
O homem tem um farol: a consciência.
A mulher tem uma estrela: a esperança.
O farol guia,
A esperança salva.
Enfim, o homem está colocado onde termina a Terra,
A mulher onde começa o céu.
Interferenze in Piero XVIII
Texto: Victor Hugo. Pinturas: Giov. D’And.

Abstrato ou Concreto ?

Da elegância: O pecaminoso...
Das linhas: O absurdável...
Das formas: A lindiscrição...

Do vero: O inimaginável...
Do imaginário: O além da visão...
Do somente: A percepção...


No substrato
do abstrato,
o extrato:
É o reencontro com DEUS !!!

Onde do nada:
Vem o Todo!
E para o sublime:
A arte é um bom caminho...

A História de Um Dia, 112x77cm, AsT
A Entrada Triunfal em Cassiopeia, 70x90cm, AsT

terça-feira, 22 de março de 2011

MÃE SANTÍSSIMA, QUE DOR...

Nossa Senhora da Penha, 120x80cm, Acervo Museu Sacro do Santuário da Penha/RJ


Madonna del Parto 2º Piero della Francesca

Aparição de Aparecida Apareceu na minha Vida, 70x50cm, Acervo Catedral N S Aparecida/Brasília
Nossa Senhora Aparecida, 120x70cm, Acervo Museu de Arte Sacra N S Aparecida/SP

Madonna in Trono col Bambino Benedicente 2º Piero della Francesca, 44x32cm

Madonna di Senigallia 2º Piero della Francesca, 80x64cm
Alguém, assim pensaria?
Poderia falar da alegria.
Alegria cantaria, até bradaria,
Se meu barraco fosse de alvenaria.




Para Nossa Senhora, rezaria?

Sinto frio, até arrepio,
Ossos de minh'alma tremem...
Abro o armário
E vejo agasalhos.

Senhora, Seu Manto, por favor...

Acho engraçado,
Vejo gente,
Que frio sente
Porque não tem agasalhos.

Destes, alguns têm a Senhora.

Ai que fome, de coisas muitas.
Jogo fora a comida que estraga,
Pela imensa fome que senti.
Gente tem, fome tem, porque comida não tem...

Minha Nossa...

Banho gostoso, quentinho,
Mistura na lágrima: quentinha, quentinha...
De quem toma banho frio,
Quando toma, a lágrima também é fria?

Que dúvida, Minha Senhora.

Na desventura, dos palácios de cristal
A cama é bem macia.
No relento, o sonho de cristal
É uma cama bem macia...

A Manjedoura não era macia!

Que horas são?
Ora Minha Senhora, tenho hora!
Acho que nem estou mais são.
No ouvido ecoa: ora...

...Que melhora, Senhora.

Acendo a luz
E a escuridão não se vai...
Tem gente que brilha,
Até mesmo na escuridão.

Porque viu Sua Luz!

Vou te contar: Noticiários noticiam...
Pessoas morrem sem comida, sem água, sem coisas muitas...
Noticiaram que os ricos se suicidam mais...
Que tipo de dor dói mais?

Ajude-nos , Nossa Senhora...