terça-feira, 27 de agosto de 2013

MÚSICA: Brincadeiras Infantis ao Piano



291 - PIANO: O dó central fica próximo ao buraco da fechadura e as teclas pretas são os acidentes, eis todo o meu conhecimento da técnica pianística. Sempre achei que um dia iria me sentar ao piano e começar a tocar sem saber (mediúnico ou não), como se fosse mágica, o que veio a acontecer com o violino, que comprei a pedido de SAI BABA. Em 26.08.2013, pela 4ª vez, sentei-me ao piano (de alguém, porque não tenho, nunca estudei e nem sei o nome das notas) e, não mediúnico, brinquei com as teclas. Antes que se diga que estou imitando Robert Schumann, que tinha o hábito de improvisar ao piano, as primeiras 2 vezes, foi antes de eu saber da existência deste músico. Gravei estas "Brincadeiras Infantis ao Piano" em duas partes: I - "O Amigo Invisível" e II - "O Cão Serelepe", que dedico ao moço a quem dediquei a frase 289. Dentro do improviso, tive que improvisar o final, por causa da irritação. O segredo de melhor execução da 2ª parte é ficar soprando fora do ritmo... 

O Jogo da Vida, 100x100cm Acervo SESI (ambientação com luz atrás)

289 - JOGO DE XADREZ: (opus dedicada ao enxadrista xeque-matista, o infante meu filho)
No xeque-mate, a ida, após o adeus,
Em nova partida, as peças vêm vidas,
Jogam e jogam até o empate,
Quitam-se com as leis de Deus.

OBS (ótimo, bom saber): Este improviso, foi tão improvisado, que eu não tinha como filmar, a não ser pelo celular. Deu para entender a qualidade da imagem ? Era pra ser somente uma visitinha para amigos...

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Casa Histórica de Marechal Deodoro

Para comemoração do 121º ano (data na foto) do falecimento (segundo a filosofia de que as pessoas morrem, muito que óbvio) de MANUEL DEODORO DA FONSECA, Marechal e Presidente, amanhã, 23.08.2013, a obra "BRASILEIRINHOS" já foi entregue hoje, para exposição permanente, nas mãos do Digníssimo Diretor da Casa Histórica de Marechal Deodoro, Coronel Leonardo de Andrade, amigo antiquiquiquíssimo, que conheci ontem, e que foi simsimsimpaticíssimo.



Casa Histórica de Marechal Deodoro
Praça da República, nº 197, Centro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil



Frase relacionada, número 284, na página de.......................acertou....................FRASES.

domingo, 18 de agosto de 2013

A Expressão de Robert Schumann (parte2/4)

Trechos do Livro CLARA SCHUMANN, la vie à quatre mains, Catherine Lépront, tradução Eduardo Brandão.

Opus 7, Toccata, Robert Schumann

[...] o que ele (Wieck) sabia de Schumann [...] o tornava inquietante. ‘Por sua maneira de se comportar’, ‘ele era bem diferente do que mostra em suas composições: nestas, ele se expressa em toda a plenitude de sua alma cheia de numerosas emoções, enquanto em sua vida seu elemento próprio era o silêncio. A íntima e violenta emotividade de Robert, seu mutismo, aquela distorção sobretudo entre interior e a aparência, e a ‘inquietante estranheza’ que daí emanava, tudo isso não podia deixar de perturbar Wieck [...] ciumento como pai (de Clara Schumann) [...] tinha diante de si um rival de uma candura e de uma ternura infinitas.

Robert comportou-se muito bem, com a sua calma costumeira. Aliás, era o que ele melhor podia opor à semelhante explosão (do pai de Clara, no Tribunal).

Liszt [...] acamou-se doente, Mendelssohn e Schumann vinham visitá-lo. Mendelssohn falava, Schumann calava.

Robert dizia de Richard Wagner: ‘Ele é impossível, fala sem parar.’ Richard dizia de Schumann; ‘Ele é impossível, não diz uma palavra; não é possível, afinal, falar sempre sozinho.’

[...] abandonava tudo e, onde quer que estivesse, fechava-se em si mesmo e voltava a seus ‘pensamentos musicais’.

O filho de Carl Maria Von Weber, que visitava Schumann com frequência em Dresden, contou que ele estava sempre [...] completamente absorto em seus pensamentos, parecia assobiar uma música para si mesmo, sem que ouvíssemos o menor som sair de seus lábios.

[...] dizia Schumann, ‘não posso me conter, gostaria de cantar como um rouxinol até morrer’.


Clara se espantava: ‘Parece-me estranho que os horrores lá de fora (na insurreição de Dresden) despertem em Robert sentimentos poéticos aparentemente tão opostos a isso tudo. Percorre esses lieder um sopro de pura serenidade. Tudo para mim volta a ser como na primavera, sorridente como as flores.’

(O violinista Josef) Joachim era muito inteligente, culto e tinha, desde há muito, uma admiração sem limites por Schumann. Não se incomodou nem com o mutismo, nem com as ausências do mestre, muito pelo contrário: ‘É mais que natural’, dizia ele ‘que entre a música perpétua de sua alma certos fatos à sua volta passem despercebidos – só podemos venerá-lo ainda mais por isso [...] Ele canta como a sua natureza lhe dita e tem a coragem de dizer a todos: ‘Não sei fazer de outro modo. ‘É também, o único a ter esse direito.’

domingo, 4 de agosto de 2013

A Expressão de Robert Schumann (parte1/4)

Trechos do Livro CLARA SCHUMANN, la vie à quatre mains, Catherine Lépront, tradução Eduardo Brandão.

Incapaz de participar de uma conversa, se nela fossem abordados problemas cotidianos, ocorria não responder às perguntas que lhe faziam, ou exprimir-se numa voz fraca, sem timbre que evocava, para os que o escutavam, uma ‘conversa consigo mesmo’. Portanto, ele só se animava para contar aquelas histórias de duplos que faziam a alegria de Clara, Alwin e Gustav, que também lhes metiam medo [...] sombrio ou sonhador, parecia totalmente diferente do contador de histórias.

Robert Schumann Opus 9 Carnaval
Quanto ao universo dos sonhos, Schumann era inesgotável; quanto ao real, ele se calava [...] cansado das pessoas, retirou-se para compor.

[...] germinou a ideia [...] de fundar uma revista musical [...] Por mais estranho que possa parecer, era Robert que animava essas conversas, esses projetos. Ora, suas intervenções eram raras [...] permanecia sonhadoramente voltado para dentro de si, os olhos semicerrados. Mas, se assistia a uma troca de ideias interessantes, animava-se a ponto de dar provas de loquacidade e vivacidade. Víamos, então, Robert de certa forma despertar e sair da sua meditação, eu diria integrar-se de novo ao mundo exterior – e seu olhar, habitualmente voltado para dentro, pousava nesse mundo exterior carregado de uma acuidade penetrante e de uma magnífica fantasia [...]


Schumann em seu primeiro artigo [...] à Allgemeine Musikalische Zeitung [...] interpelava o leitor e punha em cena três personagens: Eusebius – ‘conheces o sorriso irônico no rosto pálido’ – Florestan – ‘um desses raros músicos que parecem pressentir com grande antecipação tudo o que é futuro, novo, extraordinário’ – e Mestre Raro, árbitro. Três personagens de ficção, mas, sobretudo, três facetas de si mesmo.

[...] aquelas alternâncias de mutismo e de bruscas, brevíssimas retomadas de contato com a realidade ambiente; e aquele olhar azul, retirado, ‘como se ele procurasse, examinasse, escutasse sem cessar alguma coisa no mais profundo do seu ser’. Ele não mudara aparentemente [...] seu indicador ficara paralisado. Ele tinha de renunciar ao virtuosismo, logo à sua carreira de pianista.

R. Schumann Opus 9 Carnaval (ambientação com luz atrás)
Ela (Ernestine Von Fricken) contou que, um dia, depois de uma sessão de música, eles ficaram uma hora num barco e Schumann não pronunciou uma só palavra. Na hora de se despedir, ele disse simplesmente: ‘Hoje nos compreendemos perfeitamente’.

Robert pensava, já havia algum tempo, que a música lhe era ditada do exterior, por ‘espíritos’.