terça-feira, 8 de março de 2016

Wolfgang Amadeus MOZART (comunicação mediúnica) 1/2.

Revista Espírita (Jornal de Estudos Psicológicos), de maio de 1858, sob a direção de Allan Kardec.
Conversas Familiares de Além-Túmulo - MOZART.

Foto mal tirada by Giov. D'And.
PRIMEIRA CONVERSA

1. Em nome de Deus, Espírito Mozart, estás aqui? Resp. – Sim.
2. Por que és Mozart, e não um outro Espírito? Resp. – Foi a mim que evocastes: então vim.
3. Que é um médium? Resp. – O agente que une o meu ao teu Espírito.
4. Quais as modificações, tanto fisiológicas quanto anímicas que, mau grado seu, sofre o médium ao entrar em ação intermediária? Resp. – Seu corpo nada sente, mas seu Espírito, parcialmente desprendido da matéria, está em comunicação com o meu, unindo-me a vós.
5. O que se passa nele nesse momento? Resp. – Nada para o corpo; mas uma parte de seu Espírito é atraída para mim; faço sua mão agir pelo poder que meu Espírito exerce sobre ele.
6. Assim, o médium entra em comunicação com uma individualidade espiritual diferente da sua? Resp. – Certamente; tu também, sem que sejas médium estás em contato comigo.
7. Quais os elementos que concorrem para a produção desse fenômeno? Resp. – A atração dos Espíritos para instruir os homens; leis de eletricidade física.
8. Quais são as condições indispensáveis? Resp. – É uma faculdade concedida por Deus.
9. Qual o princípio determinante? Resp. – Não o posso dizer.
10. Poderias revelar-nos as suas leis? Resp. – Não, não; não agora. Mais tarde sabereis tudo.
11. Em que termos positivos poder-se-ia anunciar a fórmula sintética desse maravilhoso fenômeno? Resp. – Leis desconhecidas que, por ora, não poderíeis compreender.
12. Poderia o médium pôr-se em relação com a alma de uma pessoa viva, e em que condições? Resp. – Facilmente, se a pessoa estiver dormindo.
13. O que entendes pela palavra alma? Resp. – A centelha divina.
14. E por Espírito? Resp. – Espírito e alma são a mesma coisa.
15. Como Espírito imortal, tem a alma a consciência do ato da morte, a consciência de si mesma ou do eu imediatamente após a morte? Resp. – A  alma  nada  sabe do passado, nem conhece o futuro senão após a morte do corpo; vê, então, sua vida passada e as últimas provas que sofrerá; assim, não se deve lamentar o que se sofre na Terra, a tudo suportando com coragem.
16. Após a morte acha-se a alma desprendida de todo elemento, de todo liame terrestre? Resp. – De todo elemento, não; tem ainda um fluido que lhe é próprio, que haure na atmosfera de seu planeta e que representa a aparência de sua última encarnação; os laços terrenos nada mais são para ela.
17. Sabe ela donde vem e para onde vai? Resp. – A décima quinta resposta resolve essa questão.
18. Nada leva  consigo daqui da Terra? Resp. – Somente a lembrança de suas boas ações, o pesar de suas faltas e o desejo de ir para um mundo melhor.
19. Abarca num golpe de vista retrospectivo o conjunto de sua vida passada? Resp. – Sim, para servir à sua vida futura.
20. Entrevê o fim da vida terrestre, o significado e o sentido desta vida, assim como a importância do destino que aqui se cumpre, em relação à vida futura? Resp. – Sim; compreende a necessidade de depuração para chegar ao infinito; quer purificar-se para alcançar os mundos bem-aventurados. Sou feliz; porém, ainda não me encontro nos mundos onde se desfruta da visão de Deus!
21. Existe na vida futura uma hierarquia dos Espíritos? Qual a sua lei? Resp. – Sim; é o grau de depuração que a marca: a bondade e as virtudes são os títulos de glória.
22. Como potência progressiva, é a inteligência que nela determina a marcha ascendente? Resp. – Sobretudo as virtudes: o amor do próximo, especialmente.
23. Uma hierarquia dos Espíritos faria supor uma outra de residência. Existe esta última? Sob que forma? Resp. – Dom de Deus, a inteligência é sempre a recompensa das virtudes: caridade, amor ao próximo. Os Espíritos habitam diferentes planetas, conforme seu grau de perfeição; aí desfrutam de maior ou menor felicidade.
24. O que se deve entender por Espíritos superiores? Resp. – Os Espíritos purificados.
25. Nosso globo terrestre é o primeiro desses degraus, o ponto de partida, ou procedemos de uma região mais inferior ainda? Resp. – Há dois globos antes do vosso, que é um dos menos perfeitos.
26. Qual o mundo que habitas? Ali és feliz? Resp. – Júpiter. Nele desfruto de grande calma; amo a todos os que me rodeiam; não temos ódio.
27. Se guardas lembrança da vida terrestre, deves recordar-te do casal A..., de Viena; já os vistes após a tua morte? Em que mundo e em que condições? Resp. – Não sei onde estão; não to posso dizer. Um é mais feliz que o outro. Por que me falas deles?
28. Por uma única palavra, indicativa de um fato capital de tua vida, e que não podes ter esquecido, seria possível forneceres uma prova certa dessa lembrança? Intimo-te a dizer essa palavra. Resp. – Amor; reconhecimento.

SEGUNDA CONVERSA

O interlocutor não é mais o mesmo [...] é possível que se trate de um músico, feliz por se entreter com um mestre.

Diz Mozart: 1. Acabemos com as perguntas de G...: conversarei contigo; dir-te-ei o que em nosso mundo entendemos  por melodia. Por que não me evocaste mais cedo? Ter-te-ia respondido.
2. O que é melodia? Resp. – Para ti muitas vezes é uma lembrança da vida passada; teu Espírito recorda aquilo que entreviu num mundo melhor.
No planeta em que habito – Júpiter – há melodia em toda parte: no murmúrio da água, no crepitar das folhas, no canto do vento; as flores sussurram e cantam; tudo torna os sons melodiosos. Sê bom; conquista esse planeta por tuas virtudes; bem escolheste, cantando a Deus: a música religiosa auxilia a elevação da alma. Como gostaria de vos poder inspirar o desejo de ver esse mundo onde somos tão felizes! Todos somos caridosos; tudo ali é belo e a Natureza é tão admirável! Tudo nos inspira o desejo de estar com Deus. Coragem! Coragem! Acreditai em minha comunicação espírita: sou eu mesmo que aqui me encontro; desfruto do poder de vos dizer o que experimentamos; possa eu vos inspirar bastante o amor ao bem, para vos tornardes dignos desta recompensa, que nada é ao lado de outras a que aspiro!
3. Nossa música é a mesma em outros planetas? Resp. – Não; nenhuma música poderá vos dar uma ideia da música que temos aqui: é divina! Oh! Felicidade! Faz por merecer o gozo de semelhantes harmonias: luta! coragem! Não possuímos instrumentos: os coristas são as plantas e as aves; o pensamento compõe e os ouvintes desfrutam sem audição material, sem o auxílio da palavra, e isso a uma distância incomensurável. Nos mundos superiores isso é ainda mais sublime.
4. Qual a duração da vida de um Espírito encarnado em outro planeta que não o nosso? Resp. – Curta nos planetas inferiores; mais longa nos mundos como esse  em que tenho a felicidade de estar; Em Júpiter ela é, em média, de trezentos a quinhentos anos.
5. Haverá alguma vantagem em voltar-se a habitar a Terra? Resp. – Não; a menos que seja em missão, porque então avançamos.
6. Não se seria mais feliz permanecendo na condição de Espírito? Resp. – Não, não! Estacionar-se-ia e o que se quer é caminhar para Deus.
7. É a primeira vez que me encontro na Terra? Resp. – Não; mas não posso falar do passado de teu Espírito.
8. Eu poderia ver-te em sonho? Resp. – Se Deus o permitir, far-te-ei ver a minha habitação em sonho, e dela guardarás lembrança.
9. Onde estás aqui? Resp. – Entre tu e tua filha; vejo os dois; estou sob a forma que tinha quando estava vivo.
10. Eu poderia ver-te? Resp. – Sim; crê e verás; se tivesses mais fé, ser-nos-ia permitido dizer o porquê; tua própria profissão é um laço entre nós.
11. Como entraste aqui? Resp. – O Espírito atravessa tudo.
12. Estás ainda muito longe de Deus? Resp. – Oh! Sim!
13. Melhor que nós, compreendes o que seja a eternidade? Resp. – Sim, sim, mas não o podeis compreender no corpo.
14. Que entendes por Universo? Houve um início e haverá um fim? Resp. – Segundo vós o Universo é a Terra! Insensatos! O Universo não teve começo nem terá fim; considerai que é obra de Deus; o Universo é o infinito.
15. Que devo fazer para me acalmar? Resp. – Não te inquietes tanto pelo teu corpo. Tens perturbado o Espírito. Resiste a essa tendência.
16. O que é essa perturbação? Resp. – Temes a morte.
17. Que devo fazer para não temê-la? Resp. – Crer em Deus; sobretudo acreditar que Deus não separa um pai útil de sua família.
18. Como alcançar essa calma? Resp. – Pela vontade.
19. Onde haurir essa vontade? Resp. – Desvia o teu pensamento disso pelo trabalho.
20. Que devo fazer para aperfeiçoar o meu talento? Resp. – Podes evocar-me; obtive a permissão de inspirar-te.
21. Quando eu estiver trabalhando? Resp. – Certamente! Quando quiseres trabalhar, estarei perto de ti algumas vezes.
22. Ouvirás a minha obra? (uma obra musical do interpelante). Resp. – És o primeiro músico que me evoca; venho a ti com prazer e ouço as tuas obras.
23. Como explicar que não tenhas sido evocado? Resp. – Fui evocado; não, porém, por músicos.
24. Por quem? Resp. – Por várias damas e curiosos, em Marselha.
25. Por que a Ave-Maria me comove até as lágrimas? Resp. - Teu Espírito se desprende e junta-se ao meu e ao de Pergolesi, que me inspirou essa obra, mas esqueci aquele trecho.
26. Como pudeste esquecer a música composta por ti mesmo? Resp. – A que tenho aqui é tão bela! Como lembrar daquilo que era só matéria?
27. Vês minha mãe? Resp. – Ela está reencarnada na Terra.
28. Em que corpo? Resp. – Nada posso dizer a propósito.
29. E meu pai? Resp. – Está errante para auxiliar no bem; fará tua mãe progredir; reencarnarão juntos e serão felizes.
Selo: Alemanha, 1956, Mozart.
30. Ele me vem ver? Resp. – Muitas vezes; a ele deves teus impulsos caritativos.
31. Foi minha mãe quem pediu para reencarnar-se? Resp. – Sim; tinha grande vontade de elevar-se por uma nova prova e adentrar num mundo superior à Terra; já deu um passo imenso nesse sentido.
32. Que queres dizer com isso? Resp. – Ela resistiu a todas as tentações; sua vida na Terra foi sublime, comparada com seu passado, que foi o de um Espírito inferior. Assim, já galgou alguns degraus.
33. Havia escolhido, então, uma prova acima de suas forças? Resp. – Sim, foi isso.
34. Quando sonho que a vejo, é ela própria que aparece? Resp. – Sim, sim.
35. Se tivessem evocado Bichat no dia da inauguração de sua estátua, teria ele respondido? Estaria lá? Resp. – Ele estava lá, e eu também.
36. Por que também estavas lá? Resp. – Pela mesma razão que vários outros Espíritos, que desfrutam o bem e se sentem felizes por ver que glorificais os que se ocupam da humanidade sofredora.
37. Obrigado, Mozart; adeus. Resp. – Crede, crede, estou aqui... Sou feliz... Crede que há mundos acima do vosso... Crede em Deus... Evocai-me mais freqüentemente, e em companhia de músicos; ficarei feliz em vos instruir e em contribuir para a vossa melhoria, e em vos ajudar a subir para Deus.

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