SCHUMANN

Sobre a história da música em minha vida, ler capítulo XXIII, A MÚSICA ORQUESTRADA POR SAI BABA, na página SAI, deste blog www.giovdand.blogspot.com.br
A Expressão de Robert Schumann (parte3/4)
Trechos do Livro CLARA SCHUMANN, la vie à quatre mains, Catherine Lépront, tradução Eduardo Brandão.
 
Se não se encontravam, marcavam estranhos encontros: “Concebi um projeto simpático: tocarei amanhã, às 11 horas em ponto e pensarei bastante em você. Resta pedir-lhe para fazer a mesma coisa [...] Clara responde: Estarei amanhã, conforme seu desejo [...]
Opus 1 Variations on the Name ABEGG, Robert Schumann 43x48cm AsT
Quanto à Arte, também apresentou uma dupla face, um duplo caráter: ela estava presente, sem dúvida nenhuma, nas improvisações de Robert, em suas histórias [...] Era “arte”, mas impalpável, indizível. Uma presença. Por outro lado os exercícios ao piano, os estudos, a prática, a técnica, “toda uma arte”, dizia Wieck, mas real, concreta, como que encarnada pelo rigoroso professor que não tinha a menor propensão aos devaneios e desconfiava da fantasia, sobre a qual sua autoridade não tinha o menor controle.
 
Clara também assistiu às “querelas inauditas” deles, às “lutas penosas” empreendidas por Friedrich Wieck para persuadir Schumann de que “a própria essência da arte pianística” consistia em conquistar “um domínio do mecanismo, constante, frio e refletido”. E, principalmente, que ele necessitava de “precisão, igualdade, ritmo, pureza para adquirir um toque elegante...” – no que tinha razão, mas sempre acrescentava: “... a despeito da sua exagerada fantasia”. Banir a fantasia, o devaneio, a própria essência da arte romântica? Impossível para Schumann... Não era uma prova, fornecida por Robert Schumann, de que é possível opor-se ao mestre?


Cento e trinta e oito lieder de rara beleza, apenas no ano de 1840. ‘Mas, de onde lhe vêm todas essas centelhas?” [...] Vinham de uma prodigiosa cultura literária [...] por causa daquela ‘fisionomia’ particular de Schumann, talvez o mais erudito entre os músicos alemães, mas que uma extrema sensibilidade, uma imaginação transbordante, assim como a angústia e a intuição da loucura salvavam do puro intelectualismo.
Mas, Clara apenas entreviu o mundo fantástico cuja existência Robert, com suas histórias, lhe evocara – e ele permaneceu incompreendido por ela. Do mesmo modo, este outro modelo de comportamento que ele propunha com a sua simples presença. [...] Sempre a sua fantasia... Ela era “magnífica” apenas para seus amigos e para Clara, quando se tratava de ouvi-lo improvisar ao piano e contar suas histórias [...]

Pintando a Opus 11, de Schumann

Tradução da linguagem musical para a linguagem pictórica, da Opus 11, de Robert Schumann, Sonata nº 1 para piano, de 1835.




Num almoço em família, em 17.11.2013, não obstante parecer que a casa está vazia de gente viva, Giov. é pego de surpresa e, embora não quisesse pagar mico, é filmado pelo pessoal de Roliudi, empresa  cinematográfica representada neste momento por Sand. D'And., camerawoman.


Opus 11, de Robert Schumann 50x70cm, 

157 - FRASE MUSICAL: Veio uma em minha mente e fiquei repetindo por 3 dias. Aconteceu quando eu estava catalogando todas as músicas de Schumann (e convertendo de vídeo para áudio), sendo que consegui 80% e de quebra 3 filmes; até que ouvi a Opus 11, cujo início era esta melodia mental. Só espero que não tenha sido o próprio defunto músico que me inspirou. Que Deus o tenha em bom lugar, cruz credo...

domingo, 18 de agosto de 2013
Trechos do Livro CLARA SCHUMANN, la vie à quatre mains, Catherine Lépront, tradução Eduardo Brandão.

Opus 7, Toccata, Robert Schumann
[...] o que ele (Wieck) sabia de Schumann [...] o tornava inquietante. ‘Por sua maneira de se comportar’, ‘ele era bem diferente do que mostra em suas composições: nestas, ele se expressa em toda a plenitude de sua alma cheia de numerosas emoções, enquanto em sua vida seu elemento próprio era o silêncio. A íntima e violenta emotividade de Robert, seu mutismo, aquela distorção sobretudo entre interior e a aparência, e a ‘inquietante estranheza’ que daí emanava, tudo isso não podia deixar de perturbar Wieck [...] ciumento como pai (de Clara Schumann) [...] tinha diante de si um rival de uma candura e de uma ternura infinitas.

Robert comportou-se muito bem, com a sua calma costumeira. Aliás, era o que ele melhor podia opor à semelhante explosão (do pai de Clara, no Tribunal).

Liszt [...] acamou-se doente, Mendelssohn e Schumann vinham visitá-lo. Mendelssohn falava, Schumann calava.

Robert dizia de Richard Wagner: ‘Ele é impossível, fala sem parar.’ Richard dizia de Schumann; ‘Ele é impossível, não diz uma palavra; não é possível, afinal, falar sempre sozinho.’

[...] abandonava tudo e, onde quer que estivesse, fechava-se em si mesmo e voltava a seus ‘pensamentos musicais’.

O filho de Carl Maria Von Weber, que visitava Schumann com frequência em Dresden, contou que ele estava sempre [...] completamente absorto em seus pensamentos, parecia assobiar uma música para si mesmo, sem que ouvíssemos o menor som sair de seus lábios.
[...] dizia Schumann, ‘não posso me conter, gostaria de cantar como um rouxinol até morrer’.


Clara se espantava: ‘Parece-me estranho que os horrores lá de fora (na insurreição de Dresden) despertem em Robert sentimentos poéticos aparentemente tão opostos a isso tudo. Percorre esses lieder um sopro de pura serenidade. Tudo para mim volta a ser como na primavera, sorridente como as flores.’
 
(O violinista Josef) Joachim era muito inteligente, culto e tinha, desde há muito, uma admiração sem limites por Schumann. Não se incomodou nem com o mutismo, nem com as ausências do mestre, muito pelo contrário: ‘É mais que natural’, dizia ele ‘que entre a música perpétua de sua alma certos fatos à sua volta passem despercebidos – só podemos venerá-lo ainda mais por isso [...] Ele canta como a sua natureza lhe dita e tem a coragem de dizer a todos: ‘Não sei fazer de outro modo. ‘É também, o único a ter esse direito.’

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O monólogo do artista passa a estabelecer diálogo com o público quando sua arte é comentada...