domingo, 13 de outubro de 2013

A Entrega

Rio de Janeiro Photográfico 181 Visão do Leme
Entrego-me. A mim.
Infelicito-me!
Ensimesmo-me.
Fico-me. Giro-me em torno de mim mesmo.
Despeço-me de mim. Vou-me. Distancio-me de mim.
Perco-me de vista... Quando olho para dentro de mim.
Parto-me, sozinho, por um caminho. Rasgo-me.
Parto-me em vários caminhos partidos e perdidos.
Retorno-me. Torno-me a ficar, mas... 
Quero: ir-me, levar-me, carregando-me em meus próprios braços.
Abraço-me. Arrepio-me. Sinto-me frio, não só, pois esquento-me.
Alimento-me, do mais ao menos.
Exponho-me ao mundo.
Falo-me aos ventos.
Enclausuro-me na mudez de mente e ou de paredes.
Canso-me de mim mesmo. Abato-me.
Desfaleço-me, perdendo-me a pequena parte das forças que... Restava-me...
Sinto-me, somente, só.
Engulo-me, e, mascaro-me.
Prostituo-me, inventando-me, fantasiando-me em contos de reis, mas dos réis, lucro-me em nenhum vintém.
Se lucro, pior, ignoro-me de vez. Numa ignorância fria, que congela quem transpassa por mim.
Então, mendigo-me, mentindo-me para quaisquer, pois analiso-me: nunca, jamais!
Lambuzo-me, entornando-me em caldo e suor. Salivo-me, simplesmente porque...
Admiro-me, nem sempre ao espelho. Orgulho-me de mim. Envaideço-me.
Cultuo-me. Aculturo-me. Cresço-me, mas quase sempre, apequeno-me.
Disfarço-me de mil maneiras sutis. Finjo-me humilde.
Penso-me que engano a mim e a todos.
Planejo-me ser assim, sim. Mas, não sou e nem quero ser. Ser-me, a mim basta...
Extenuo-me. Quedo-me. Morro-me, por dentro e por fora. Suicido-me.
Despedaço-me. Estilhaço-me.
Desesperanço-me em mim, de mim para comigo mesmo. Resta-me, tão somente, o nada mais.
Abandono-me de vez, por mais uma vez.
E, vendo-me, dentro de mim, que há algo mais do que eu, muito além de mim...
Resolvo-me por sair de mim, mas sem forças, permaneço-me... Em mim...
Um dia... Ao invés...
Entrego-me. Ao meu Pai que está nos Céus.
Felicito-me!
Junto-me. Reúno-me. Construo-me, ainda que disforme.
Restabeleço-me. Curo-me.
Clarifico-me em luz.
Aso-me. Angelizo-me.
Agora, não mais para mim.
Agora, por e para todos.
Eis a história e o destino da humanidade!

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O monólogo do artista passa a estabelecer diálogo com o público quando sua arte é comentada...